Arquivo por categoria: Aderino França

abr 08

ESPAÇO ABERTO: Aderino França – Sesmaria Victória, do Brasil Colônia a contemporaneidade

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           Quando a Coroa Portuguesa dividiu o sua mais nova colonia em Capitanias Hereditárias no intento de povoar, defender e melhor explorar economicamente as virgens áreas, dividiu em sesmarias a imensas capitanias, e de São Jorge dos Ilhéus não foi diferente.

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        Assim nasceu a Sesmaria Victória, com 21 mil 125 hectares de terra, beirando o rio Cachoeira, ribeirão Jupati, Ribeira do Banco e uma légua de fundo. Atualmente dispõe de 230 hectares, onde no passado havia um engenho de cana de açúcar e os negros que ali trabalharam fundaram a localidade de Banco da Vitória.

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        A sede da fazenda conserva a casa grande, a roda d’água e a barragem de pedra construída com a mão de obra negra, o caminho de pedras para lá chegar dão um ar nostálgico e bucólico ao local, que faz o visitante viajar literalmente no tempo.

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        Com muita água e mata abundante a fazenda abriga uma infinidade de especies animais e vegetais, sendo os pássaros os protagonistas do show da natureza local.

        Com o declínio da lavoura de cana, o Porto do Jenipapo no Banco da Vitória não ancorava mais os veleiros na busca do açúcar. Ainda no século XIX, apenas o engenho da Sesmaria Victória prosperava e contava com 260 escravos e produzia 10 mil arrobas de açúcar, além de cereais e algodão. O mais importante proprietário da Sesmaria Victória foi o Barão de Barbacena – Felisberto Caldeira Brant.

         Em 1860 esteve em visita a Ilhéus o arquiduque Maximiliano, filho do Imperador da Áustria, Francisco José, a bordo do paquete “Elizabeth”, sua vinda foi a convite do amigo Ferdinand Von Steiger, proprietário da Sesmaria Victória à época. Maximiliano que pouco tempo depois foi Imperador do México deixou marcar históricas como a “Ladeira do Príncipe” e a “Serra da Onça” onde fez uma inesquecível caçada.  Nesta ocasião também foi servido um requintado jantar com mucamas servindo semi nuas, louça inglesa e linhos bordados a mão, além da prataria portuguesa e o cristal das capoteiras reluziam à luz dos candeeiros, entre as iguarias servidas carne de sol com pirão de leite, para a sobremesa compotas de goiaba, genipapo, banana, abacaxi, jambo, jaca, manga…

       Com o declínio vertiginoso da produção de açúcar e as terras da Sesmaria Victória não serem das melhores para o plantio da nova cultura, o cacau, os proprietários decidiram fabricar aguardente e fundaram a “Cana de Ilhéus”, imortalizada no livro “Gabriela Cravo e Canela” de Jorge Amado.

       Em 1920 a família suíça Kaufmann adquiriu a Sesmaria Victória, tendo atualmente o casal Hugo e Solange, que hospitaleiros e profundos conhecedores da história e do lugar oferecem a quem for por lá uma aula de história e a sabedoria inerente aos mestres que aprenderam não só com o ensino dos livros e universidades, mas também com a vida.

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        Uma Fundação suíça está em acordo com os Kaufmann para uma parceria no reflorestamento e pesquisas agro cientificas, além de fomento a educação ambiental, assim, juntos poderão proporcionar a outras pessoas melhora na qualidade de vida e no progresso educacional.

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     Em nossa visita Hugo e Solange nos ofertaram um farto almoço com uma variedade de iguarias e nos proporcionaram um domingo no túnel do tempo, onde o passado glorioso do lugar, a conversa e planejamento do presente remete a um futuro progresso.

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