Arquivo por categoria: Marco Antônio de Araujo

jun 25

COLUNA DE M.A.A. – Ex-jogadores comentaristas destruíram o jornalismo esportivo

MARCO ANTONIO - POSTAR

        Houve um tempo, dizem os anciões do templo do futebol, em que comentaristas eram pessoas esclarecidas que se preparavam para exercer esse papel (coadjuvante, mas fundamental) no programa de auditório que sempre foi o jornalismo esportivo. Hoje em dia, não. Qualquer ex-jogador aventureiro lança mão de um bico, a ponto de estarmos assistindo à uma invasão bárbara dessa espécie de parasita desocupado.

         Os amantes do esporte deveriam quebrar agências bancárias e incendiar concessionárias de carros de luxo em protesto contra essa indecência. Com a advento das TVs a cabo, então, perdeu-se qualquer pudor ou senso de ridículo. Tem lugar pra qualquer um. Até argentinos e colombianos foram convocados para a pelada. Alguém entende o que Sorín, Louco Abreu ou Rincón dizem, além de palavrões pronunciados ao vivo? Não que faça diferença. Mas.

      Nos canais abertos, estávamos expostos a Neto e seu português primitivo, a Denilson ou Edmundo e suas observações inúteis, ao Casagrande (que às vezes faz voz de bêbado, às vezes de vítima de AVC), ao sonolento Caio Ribeiro e outros aposentados que não souberam guardar dinheiro. O Ronaldo? Será que ele ainda está com vergonha da Copa? Deixa pra lá.

         Junto com o Mundial da Fifa, veio um tsunami dessas figuras que não constam em nenhum álbum. As emissoras devem ter localizado essa turma pesquisando no site do INSS. Roger, Belletti, Juninho Pernambucano, Ricardo Rocha, Edinho, Roberto Carlos e uma legião de ex-atletas que mal sabiam amarrar os cadarços da chuteira na grande área. Constrangedor. Um porre. Pelo menos desistiram do Pelé.

      Para sermos justos, há um jogador que foi espetacular e continua dando um show de bola. Exatamente: Tostão. Esse cara é uma estrela solitária, um diamante, um rei. Não dá para servir como referência, simplesmente porque é único. Vida longa.

         Não querendo ser saudosista, faz falta os grandes mestres do jornalismo esportivo, aqueles que abriram as portas para essa geração de parasitas. Mas é jogo jogado. Esse tempo não voltará, não há mais inteligência disponível para exercer essa função. É um Juca Kfouri aqui, um José Trajano acolá. E acabou. Nunca mais João Saldanha. Nunca mais Nelson Rodrigues. Nunca mais?

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jun 11

COLUNA DE M.A.A. – Brasileiro gosta do futebol mercenário de Camarões

COLUNA DE:

MARCO ANTONIO ARAÚJO

MARCO ANTONIO - POSTAR

Brasileiro gosta do futebol mercenário de Camarões

Quer torcer contra alguma seleção? Sugiro Camarões. Digo isso sabendo da enorme simpatia que a torcida brasileira cultiva pelo escrete do país africano. Somos realmente um povo estranho, esquizofrênico. Estendemos nosso complexo de vira-latas até para os simpatizantes.

camaroes

     Descemos a lenha em nossa pátria, amamos e odiamos nossos jogadores, esculachamos nossos cartolas sem piedade. Fazemos isso cobertos de razão, claro. Mas na hora de nos abrir em sorrisos e desfraldar outra bandeira, talvez inconscientemente, elegemos atletas, dirigentes e uma equipe bem pior que a nossa. Vai entender…

    Camarões é um país miserável, em todos os sentidos, aí incluídos o econômico, o político e o moral. Boa parte da população sobrevive da agricultura de subsistência. Tem um presidente que se reelege desde 1982, num arremedo de democracia. E seu povo joga futebol em qualquer pedaço de terra, com bola de meia ou tampinhas. Quando se tornam profissionais, e talento para isso muitos têm, se mostram os maiores mercenários do planeta. Sério.

     Todos ficamos sabendo que a delegação camaronesa se recusou a embarcar para o Brasil sem antes garantir um bicho estimado em 1 milhão de dólares por atleta, isso caso não passem das oitavas de final. E não foi a primeira vez que eles praticaram essa chantagem descarada. Fizeram os mesmo às vésperas de embarcar para o Mundial de 1998, na França.

     Seus ídolos são famosos por uma vaidade despropositada. O veterano e aposentado  Roger Milla se recusou a dar entrevistas para jornalistas brasileiros quando soube que não seria remunerado. Ficou bravo, indignado, vejam só. A estrela Samuel Eto’o vai pelo mesmo caminho, o de não fazer a menor questão de ser simpático. Nos vestiários, são famosas as homéricas brigas de ego entre os companheiros. Talvez desse um desconto, se fossem alguma maravilha do futebol. Não é o que se viu na última Copa Africana das Nações, para a qual Camarões nem sequer se classificou.

      Eles devem ter seus motivos para agirem e serem assim. Não estou aqui para julgar nossos irmãos africanos. Mas posso mostrar uma certo desconsolo em ver como nós, brasileiros, nos identificamos com essa malandragem marota e mau caráter. Trocamos tudo por um drible, uma insolência. Por mim, um time assim merece ser ensacado. Cinco a zero tá bom. E tchau.

O PROVACADOR

J

Jornalista desde 1987, quando escreveu crítica de teatro para o extinto jornal A Voz da Unidade, do PCB. Ajudou a fechar outro veículo, A Gazeta Esportiva, onde foi diretor de redação. Pra compensar, criou as revistas Educação, Língua Portuguesa, Fera! e Ensino Superior. Foi professor e coordenador de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero de 1992 a 2002, período em que o curso foi considerado o melhor do país.

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mai 06

COLUNA DE M.A.A – É preciso uma campanha — bem violenta — contra linchamentos

COLUNA DE :

MARCO ANTONIO ARAÚJO

o provocador real

É preciso uma campanha — bem violenta — contra linchamentos

      Os linchamentos que estão em moda no Brasil ainda não eliminaram nenhum bandido. Mas já criaram centenas deles. Depois da comprovada morte de uma mulher inocente, vítima de um boato irresponsável, está mais do que claro, está claríssimo: quem participa desses atos selvagens (que nada têm a ver com justiça) não passa de um assassino frio, cruel e muito, muito ignorante. E esse tipo de psicopata está espalhado aos milhares pelo País.

ali

     Já está na hora de a polícia mandar alguns desses marginais para a cadeia. Quem sabe lá eles conseguem matar algum bandido de verdade. Porque, aqui fora, essa gentalha só tortura e esculacha mulheres indefesas e supostos pés-de-chinelo.

    Esses filhotes de Sheherazades e Reinaldos Azevedos precisam ser tratados como de fato são: a escória da sociedade travestida de gente honesta. Não há decência nenhuma em se arvorar o papel de policial, juiz e carrasco. São apenas pessoas bestificadas, animais talvez semialfabetizados — no máximo, massa de manobra de algum demônio incrustrado no imaginário brasileiro.

     Passou da hora de o Estado tomar alguma posição nessa epidemia de violência gratuita — pela qual, justíssimo dizer, é o maior responsável. Sabemos que nossos governos são incapazes de estancar a violência remunerada de ladrões e marginais, muito menos oferecer um sistema prisional que recupere minimamente os que ainda teriam chance de se salvar.

     Então, admitido esse fracasso — e antes que tudo fuja ao controle e retornemos à Idade Média (da qual politcamente nunca saímos) —, que pelo menos nossos prefeitos, governadores e presidente se unam em uma  campanha nacional de esclarecimento sobre a inutilidade e perversidade de linchamentos.

     Só sugiro uma coisa: essa campanha tem de ser violenta. Porque, pelo visto, essa é única linguagem que esses assassinos conhecem.

Marco Antonio Araújo é jornalista desde 1987, quando escreveu crítica de teatro para o extinto jornal A Voz da Unidade, do PCB. Ajudou a fechar outro veículo, A Gazeta Esportiva, onde foi diretor de redação. Pra compensar, criou as revistas Educação, Língua Portuguesa, Fera! e Ensino Superior. Foi professor e coordenador de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero de 1992 a 2002, período em que o curso foi considerado o melhor do país.

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abr 28

COLUNA DE : M.A.A. – Esquenta presta homenagem ao sensacionalismo

COLUNA DE:

Marco Antonio Araújo

o provocador real

Esquenta presta homenagem ao sensacionalismo

     O silêncio sepulcral em torno do assunto me irritou a ponto de ficar impossível não perguntar: que apelação foi aquela da Regina Casé com a morte do bailarino do Esquenta? Ou só eu vi a que ponto pode chegar o sensacionalismo mais desavergonhado?

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       Deve haver algum tipo de pacto de silêncio na chamada “crítica especializada” quando o desespero por audiência parte de gente pretensamente descolada. Fico imaginando qual seria a reação desses críticos tão zelosos pela qualidade da nossa televisão, se o show de horrores praticado por Regina tivesse sido feito por algum outro apresentador, de qualquer emissora que não fosse a Globo. Provavelmente cairiam de pau. O fato é que é inadmissível um programa explorar de forma tão acintosa a morte de alguém. A sucessão de clichês, demagogia e morbidez ultrapassou qualquer limite.

     O mais acintoso e constrangedor foi o esforço desmedido para camuflar a mais absoluta falta de ética: sensacionalismo virou “homenagem”. Provavelmente, esse foi o degrau mais baixo a que um apresentador se permitiu chegar — afinal, programas policiais ao menos não tentam enganar ninguém, nem tratam da desgraça alheia de forma tão dissimulada.

    Regina Casé entrou para a história da televisão brasileira. Vai ser difícil superar esse espetáculo de oportunismo. Lamentável.

Marco Antonio Araujo. Jornalista desde 1987, quando escreveu crítica de teatro para o extinto jornal A Voz da Unidade, do PCB. Ajudou a fechar outro veículo, A Gazeta Esportiva, onde foi diretor de redação. Pra compensar, criou as revistas Educação, Língua Portuguesa, Fera! e Ensino Superior. Foi professor e coordenador de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero de 1992 a 2002, período em que o curso foi considerado o melhor do país.

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abr 12

A pensão alimentícia não foi feita para destruir famílias

   Coluna de Marco Antonio Araújo

o provocador real

A pensão alimentícia não foi feita para destruir famílias

   Prender um cidadão que não tem dinheiro para pagar pensão alimentícia é um dos atos mais infames da nossa sociedade. Além de inútil, é perverso, cruel e rigorosamente injusto. É inadmissível pensar que alguém se submeteria à barbárie de nossas masmorras por mera avareza ou mesquinharia. Se o cara chegou a essa situação é porque não tem condições objetivas de bancar suas obrigações com a antiga esposa (na verdade, com os filhos).

     O caso do ex-participante de A Fazenda Marcos Oliver é só mais um que pode ter esse desfecho sórdido. Desempregado, acumulou uma dívida de R$ 55 mil, após ficar um período honrando a filha de 12 anos com uma ajuda mensal de R$ 1,5 mil. Há dois anos, pelo que entendi, parou de contribuir para o sustento da garota. Agora, o assunto chegou às vias de fato: se não quitar sua dívida, vai para a cadeia.

    Eu não sou ingênuo a ponto de acreditar que todos os pais honram com suas obrigações alegremente. Tem muito safado por aí que simplesmente larga tudo nas costas da mãe ou ajuda com mixarias, mesmo podendo contribuir com mais. Esses merecem ser castigados com rigor. Mas não é desse tipo de picareta desnaturado que estamos falando — nem tampouco de mulheres oportunistas que transformam a maternidade numa fonte de renda pessoal. Para essas, só resta aos otários contratar excelentes advogados.

     A lei das pensões alimentícias precisa ser revista para evitar distorções e dramas incorrigíveis. Fico imaginando o que um filho vai pensar da mãe ao ver que seu pai está atrás das grades por causa da intolerância dela. Ninguém sai bem de uma história dessas, em que só há vilões.

     Nossos legisladores poderiam resolver isso com uma ou duas linhas a mais na lei: caberia à Justiça averiguar se o pai tem ou não condições efetivas de arcar com suas obrigações. Tem grana? Paga. Se ficar enrolando, aí sim, cana nele. Simples assim. Não tem? Sejamos sensatos, botar o cara na cadeia não faz brotar dinheiro no chão da cela, não resolve nada. Pelo contrário, só agrava a superlotação de nosso sistema carcerário, além de colocar uma pessoa eventualmente sem antecedentes em contato com o pior tipo de criminoso.

    Mas bom senso não é uma característica do nosso ordenamento social. Temos um judiciário com força para prender um pai desempregado, enquanto assassinos e corruptos circulam livremente com seus habeas corpus. Do jeito que está, a lei das pensões alimentícias pode destruir famílias de forma irreversível. É isso que queremos para nossos filhos?

Jornalista desde 1987, quando escreveu crítica de teatro para o extinto jornal A Voz da Unidade, do PCB. Ajudou a fechar outro veículo, A Gazeta Esportiva, onde foi diretor de redação. Pra compensar, criou as revistas Educação, Língua Portuguesa, Fera! e Ensino Superior. Foi professor e coordenador de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero de 1992 a 2002, período em que o curso foi considerado o melhor do país.

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